o DVD de um show do Enio Morricone, o
último que ele assistiu, quietinho, antes
de ser internado no hospital para não sair mais.
Meu avô não era bolinho. Era teimoso, só
Meu avô não era bolinho. Era teimoso, só
fazia o que ele queria, como ele queria.
Não falava muito, não reclamava de dor,
nunca tomava remédio e andava devagar
por conta de um acidente mal cuidado.
Quando ele era jovem quebrou vários
os dedos dos dois pés e, com medo do
pai (meu biso), calçou os sapatos,
agüentou a dor e nunca tratou do problema direito.
Acabou com os dedos tortos para sempre.
Como eu fui a primeira neta do lado da minha mãe
Como eu fui a primeira neta do lado da minha mãe
e estava sempre na casa ou no sitio deles, acabei
convivendo mais com ele do que com o meu outro
avô (mesmo porque ele acabou falecendo
quando eu tinha 8 anos).
Muitas lembranças da minha infância são de quando
Muitas lembranças da minha infância são de quando
a gente ia tomar sorvete, quase sempre de pistache.
De como ele adorava chocolate, de como ele sempre
estava de calça social, camisa e sapato (até na praia),
de como ele estava sempre trabalhando ou consertando
alguma coisa no sítio, da paciência quando ele me ensinou
a dirigir e do barulho das 87679 chaves no bolso dele quando
ele andava, naquele ritmo só dele.
Como ele não ficou na UTI, como a minha avó, consegui ir visitá-lo
Quando ele começou a dar os primeiros sinais de que estava
doente chegava a ser engraçado. Ele sempre tinha uma história
mirabolante pra contar e quase sempre era algo que tinha acontecido
com ele ou por causa dele.
No seu último aniversário ele já estava mais calado do que nunca.
Como ele estava numa fase chapéu, dei um boné escrito “Vô”.
Mesmo não falando muito, sei que ele adorou, já que sempre que
estava sem ele, queria saber onde estava o “boné do vô”.
Segundo a minha mãe, a última vez que ela ouviu o meu avô dar risada
foi quando eles lembraram de como eu, super barbeira, derrubei um murinho
porque não consegui apertar o freio do carro a tempo.
mais vezes no hospital. Uma dessas vezes fiquei umas 2 horas com
ele no quarto conversando... quer dizer eu falando e ele lá, como se
estivesse ouvindo. A última coisa que falei para o meu avô foi “Vô,
quando você melhorar vou trazer um chocolate dos bons pra você, beleza?”
Espero que do lado de lá ele esteja comendo um monte deles...

Nenhum comentário:
Postar um comentário