quinta-feira, 1 de março de 2012

Meto

Que a força do medo que tenho Não me impeça de ver o que anseio;
Que a morte de tudo em que acredito Não me tape os ouvidos e a boca;
Porque metade de mim é o que eu grito, Mas a outra metade é silêncio...Que a música que eu ouço ao longe Seja linda, ainda que tristeza; Que a mulher que eu amo seja pra sempre amada
Mesmo que distante; Porque metade de mim é partida Mas a outra metade é saudade...
Que as palavras que eu falo Não sejam ouvidas como prece E nem repetidas com fervor,
Apenas respeitadas como a única coisa que resta A um homem inundado de sentimentos;
Porque metade de mim é o que ouço Mas a outra metade é o que calo...
Que essa minha vontade de ir embora Se transforme na calma e na paz que eu mereço;
E que essa tensão que me corrói por dentro Seja um dia recompensada;
Porque metade de mim é o que penso Mas a outra metade é um vulcão...
Que o medo da solidão se afaste E que o convívio comigo mesmo
Se torne ao menos suportável; Que o espelho reflita em meu rosto
Um doce sorriso que me lembro ter dado na infância;
Porque metade de mim é a lembrança do que fui,
A outra metade eu não sei...Que não seja preciso mais do que uma simples alegria
para me fazer aquietar o espírito E que o teu silêncio me fale cada vez mais;
Porque metade de mim é abrigo Mas a outra metade é cansaço...
Que a arte nos aponte uma resposta Mesmo que ela não saiba
E que ninguém a tente complicar Porque é preciso simplicidade para faze-la florescer;
Porque metade de mim é plateia E a outra metade é canção...
E que a minha loucura seja perdoada Porque metade de mim é amor
E a outra metade... Também


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